domingo, 13 de novembro de 2011

Contra o silêncio dos bons

Sempre posto aqui no blog notícias e eventos que estão acontecendo por esse Brasil afora. Esta é a minha forma de ajudar a disseminar a rica cultura deste nosso país, que tem muito a oferecer nesse sentido. Hoje, minha contribuição será diferente e virá em forma de protesto. Peço a total atenção de vocês, leitores, para o texto a seguir.


A música brasileira pede socorro. Não bastasse a falta de espaços para absorver tantos talentos que procuram seu lugar ao sol, ainda há a falta de organização e de respeito com esses artistas. E nem só os novatos estão sofrendo isso.

Desde o dia 11 de novembro está rolando o festival Serra Sons, em Lumiar, região serrana do Rio de Janeiro.  Até aí, tudo lindo. Teve show do Lulu Santos e tudo mais. Mas a desorganização (com problemas inclusive quanto ao pagamento dos músicos) e as deficiências técnicas chegaram a tal ponto que shows previstos começaram a ser cancelados, tais como Beto Guedes, Marcio Bragança, Nave de Prata e CláudioFaria. Além disso, artistas que tocaram, como foi o caso de Alceu Valença, não receberam o que estava previsto no contrato. ZecaBaleiro, Boca Livre e FlávioVenturini tomaram calote e também não se apresentaram. O que já era ruim ficou ainda pior: pouco antes de começar a escrever esse texto, fiquei sabendo que o festival foi CANCELADO! Sim, leitores, CANCELADO!

Este fato relatado é, infelizmente, apenas mais um exemplo da desvalorização e da falta de respeito com o trabalho dos músicos. Imagina quantos deles não tiveram prejuízos por conta dessa situação. E o público que se programou para ir prestigiar o festival e vai ficar sem nada? Além do mais, a população local também sai prejudicada, pois um evento que poderia ajudar a movimentar a cidade, apenas trouxe aborrecimentos.

Além disso, quem também levou um prejuízo enorme com o cancelamento do festival foram os comerciantes da cidade. Bares e restaurantes, para atender a demanda do público que estaria presente no evento, fizeram estoque de mercadorias. E agora? O que farão com que foi adquirido? Uma cidade que teve que lidar com a tragédia das chuvas que deixaram a região serrana tão prejudicada, agora têm que lidar com mais um revés. Por quê? Pelo amadorismo, pela falta de respeito e pela desorganização deste evento!

Fica aqui o meu protesto contra esses absurdos que acontecem. Acho um desperdício desvalorizar o belíssimo trabalho dos músicos, que tanto se esforçam e se empenham para trazer um pouco mais de alegria e arte às nossas vidas. Acho um absurdo não apenas porque amo música, mas porque, antes de um desrespeito com profissionais, ali estão seres humanos tentando levar sua vida de forma honesta. Esse tipo de coisa não pode acontecer mais!

Através do Facebook, vi que os moradores de Lumiar estão organizando um protesto por conta de toda esta confusão. Acho muito válido! As pessoas precisam se unir por essas causas. Está aí um exemplo do bom uso da internet: vamos mobilizar as pessoas contra esse desrespeito aos músicos! Pois uma vida sem respeito é uma vida vazia. E quando uma música deixa de tocar, não é apenas a cultura que perde. Nós também perdemos.

11 comentários:

Douglas Souza (Cantor e Compositor) disse...

Infelizmente é uma realidade escrota que assola desde a linha de barezinhos, a shows pequenos, médios, grandes... O desrespeito com o músico e o público é imenso.
Maior que a verba anual que o governo diz destinar ao setor e que nunca está disponível em secretaria alguma.
Desde tomadas sem aterramento e eventuais choques na boca (porque os donos de estabelecimentos também não se preocupam conosco nem no que tange à segurança, até calotes parciais à totais. Quando muda? Como mudar? Vamos mudar?!

Anônimo disse...

Parabéns pela sua sensibilidade e pelo texto, mas a música, de modo geral, está definhando mesmo. Leia o livro "gadget,você não é um aplicativo", de jaron lanier,capítulo 5 - "a lastimável situação da música". É deprimente, mas é a realidade atual.

Carol Vidal disse...

Não é a música que está definhando, mas o respeito aos músicos que está.

Acredito que não podemos nos acomodar e deixar esse tipo de coisa acontecer!

Marcia Pignataro disse...

Lumiar é o quinto distrito de Nova Friburgo. Este festival foi organizado por quem? A Prefeitura de Nova Friburgo só autorizou ou entrou como apoio? Porque ela teria que se responsabilizar. O mínimo que deveria fazer era pagar os músicos contratados para que eles fizessem o festival e depois processar a empresa caloteira. Empresários se unem com propostas interessantes como o circuito gastronômico e cultural de Lumiar, Mury, o circuito de ecoturismo e arte e a Prefeitura não deu a mínima neste episódio, em desrespeito aos que vivem ali e aos que foram lá para apreciar o festival. A cidade inteira se mobilizando para atrair turistas e sem o apoio fundamental do poder público municipal. Como se nada estivesse acontecendo, ela foi omissa, e com isso o próprio festival perdeu sua credibilidade. Qualquer outro evento não terá público. A Prefeitura perdeu espaço no calendário cultural e não fomentou a economia local e o turismo. E, ao não promover cultura, perdeu uma oportunidade política de angariar votos para a próxima eleição.

Anônimo disse...

Exigir iniciativa dessa Prefeitura?? O líder do governo foi expulso pela Polícia Federal, a cidade está às moscas...fizeram um simulado no Vilage para as enchentes e ninguém soube e ainda se espera iniciativa dessa Prefeitura para a música??? Vamos cobrar o básico para o resto funcionar....

Anônimo disse...

Gastar dinheiro público num evento particular???? Meu Deus, quando as pessoas vão parar de achar que o dinheiro público é para o bem comum, pertence ao povo, para custear as necessidades básicas da população, como educação, saúde, segurança, transporte e etc. Se o empresário deu calote ele tem que ser preso e todo seu patrimômio usado para pagar as indenizações, nada de usar dinheiro público!!!! É por isso que o Brasil está desse jeito, pensam que o governo tem que se meter na iniciativa privada. Outra coisa, se teve empresas vendendo ingressos elas são co-responsáveis pelo delito, também tem que pagar, processem essas empresas também.

Anônimo disse...

Como milhares de fãs também fui ao evento da Serrasons que ao meu ver prometia ser único com tantos ícones da MPB, mas infelizmente devido a falta de escrúpulos dos organizadores que inclusive levantaram a bandeira do evento com as desgraças ocorridas no início do ano na cidade de Nova Friburgo fui lesado. Mas fazendo valer o meu direito ao contrário do que muitos estão achando, mesmo temendo as leis que facilitam a impunidade fui a delegacia depor e tive a informação de um investigador de policia da 151 DP cujo nome preservarei de que um dos organizadores atendeu ao telefonema deste investigador e assustado e comovido afirmou que comparecia por livre e espontânea vontade na quarta feira para esclarecer os fatos. O fato é que mais uma vez uma quadrilha muito bem organizada se valeu de desgraças alheias para se favorecerem não medindo esforços e muito menos preocupação com as conseqüências....

Anônimo disse...

FATOS:

* Os produtores no FACEBOOK diziam ter vendido 40% dos ingressos para estudantes (meia-entrada). E por isso nao havia mais ingressos.

* Nao houve devolucao de dinheiro. Eu vi muita gente na bilheteria tentando e nao conseguindo.

* A prefeitura deveria ter dado apoio, e nao ter multado o evento. (Outras festas sempre ocorrem lá, e varam as 24hs, e nunca ouvi falar de multa)

* Os produtores DELETARAM a pagina do evento no FACEBOOK, de maneira a eliminar, ou dificultar, toda a prova contra eles.

* Picaretas, nao tenho duvida

Carol Vidal disse...

Gente, vocês já leram a nota oficial publicada no site do evento?

http://serrasons.com.br/rio2011/

Leiam e tirem suas conclusões...

Beijos,

Carol

ASSOMAR disse...

Aqui em Visconde de Mauá, alguns moradores não gostaram nada, da maneira que esses caras chegaram aqui. Com um projeto pronto para captar muito dinheiro, e com uma divulgação em varias redes sociais usando o nome de nossa região, sem ao menos vir ouvir moradores e comunidade local. Quando questionei, eles me vieram, com essa, Você não gosta de ganhar dinheiro? Vai rolar 20 quiosques dentro do evento! Eu respondi, ganhar dinheiro a qualquer custo, eu não quero não. Estou mais preocupado com o caos que esse tipo de evento pode causar para nossa região de Visconde de Mauá.
Alguns Músicos locais não gostaram de minha postura, achando que eu estava trabalhando contra a Cultura, que não é o caso. Um grande numero de moradores se manifestaram contra o tal evento pois esses forasteiros iriam detonar com nossa querida Visconde de Mauá. E Deus sebe lá, no que podia dar esse Serra Sons. Dissemos, Não! Não queremos isso aqui!
E hoje, vejo que tal decisão tomada foi a mais acertada.
Não adianta acreditar em estranhos que chegam com grandes projetos, se os mesmo não tem competência e experiência comprovada, no que esta propondo.

bragacelia disse...

Aos poucos as verdades vem chegando e a gente pode ter uma visao maior do acontecido, pois tiveram varios fatores influenciando cada um com sua natureza. Estamos diante de uma pessoa realmente comprometida e uma cidade que gosta de receber com tranquilidade as pessoas. O pessoal da terra mesmo, sempre se recolhem quando tem muita gente. Lumiar tem sua natureza para oferecer e ficam contente quando todos usufruem e cuidam também. Gostam de se misturar com os turistas nos eventos que a cidade oferece. Gostam de compartilhar pequenos shows, no maximo um evento como foi do Beto Guedes, pois no fundo muitos lumiarenses estão bens com a noticia, pois sabe que o lugar recuperara a tranquilidade. Recebendo com carinho as pessoas que vierem conhecer um pouco da história de Lumiar e curtir a exuberância de sua natureza. O lugar nao esta preparado e creio, que nem querem grandes shows.