quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Na trilha do sucesso

Divulgação

Construir: dar estrutura a; fabricar; edificar. Durante a nossa vida, são muitas as construções – e, por consequência, as destruições – que operamos. Construímos sonhos, amizades, vitórias, edifícios, pontes para chegar ao coração de alguém ou aos nossos próprios sentidos. Para que cada construção dessa não vá por água abaixo, é preciso que tenham bases sólidas, capazes de suportar caso algum tijolo caia pelo caminho. E assim também é uma carreira profissional: sem consistência, não se chega a lugar algum. 

É preciso lembrar, contudo, que essas bases são não apenas financeiras ou materiais: a entrega na realização de cada momento da vida tem grande valor. E é assim que a cantora e dançarina carioca Mariana Baltar vem consolidando sua carreira no cenário musical. “Para estar em alguma coisa, é preciso estar inteira”, diz ela que iniciou sua jornada profissional ainda criança, quando teve seu primeiro contato com a dança. Daí até hoje, com seu segundo CD lançado pela Biscoito Fino, foram muitas construções que, certamente, estão longe da conclusão. 

Foram anos na dança, fazendo apresentações em diversos lugares do país e do mundo com Cia. Aérea de Dança. E essa experiência – principalmente com o samba de gafieira – deu a base inicial para o seu primeiro CD, “Uma dama também quer se divertir”, lançado em 2006. Ouvindo seu segundo disco, lançado este ano, a diferença é clara: mais do que o samba das “noites da Lapa“ – fruto dos cinco anos em que se apresentou no Centro Cultural Carioca, do qual é sócia fundadora -, há o que podemos chamar de um “requinte popular”. Este segundo trabalho, que leva seu nome, apresenta arranjos refinados e construídos em cada detalhe, mas sem perder a veia popular, grande influência no trabalho da cantora. De Délcio Carvalho e Assis Valente a Eduardo Kneip e Thiago Amud, Mariana mescla o passado e o presente, formando uma só harmonia.

Em relação aos arranjos, Mariana garante que aprecia a composição que eles dão às músicas. E o cuidado com eles faz toda a diferença entre uma boa música e uma música que brilha. Essas últimas trazem, muitas vezes, a característica de ser “não comercial”, categoria na qual, segundo a cantora, seu trabalho está inserido. “E estou feliz com isso”, completa. As músicas não comerciais, de acordo com ela, são aquelas que fogem do que chamou de “entretenimento”. São músicas que fogem da obviedade, é possível acrescentar. “Mas não precisa ter arranjos complicados para uma música ser genial. Caymmi não tinha e fez grandes canções. Minhas músicas não são aquelas ‘chiclete’, que ouve e gruda”. É preciso ter um “algo a mais” que, no caso de Mariana, não para nas letras e melodias. Cada detalhe – inclusive quando está no palco – faz parte da construção de um trabalho que tem vida, que tem alma. E o corpo também faz parte desse conjunto. 

Por sua experiência na dança, Mariana usa, também, de recursos corporais para comunicar. Afinal, estar em um show é diferente de ouvir um CD e o artista precisa marcar essa diferença, mostrar-se presente e dono daquele palco que o abriga. A partir do momento que se tem consciência de que o corpo faz parte da comunicação da música – sendo, inclusive, influenciado por ela – a mensagem que se passa é mais verdadeira. “Eu procuro uma apropriação inteligente da dança. Isso tira um pouco aquela coisa do passo, e deixa os gestos fluirem”, diz.

E não se pode esquecer que o público também faz parte desta “festa”, e não fica de fora da construção de uma carreira ligada à arte. Mariana conta que está em um momento de reflexão e busca dessa plateia. “Tem horas que precisamos pensar nos rumos que as coisas estão tomando”. E lugares para apresentar o trabalho e conhecer esse público andam escassos. Essa é uma busca que artistas dessa nova geração vêm tentando conquistar.

Cada passo é um tijolo, cada lugar é uma trilha, e ambos fazem parte do processo de estruturação de um objetivo. Podemos ficar presos a uma planta e seguir os moldes já conhecidos e testados ou podemos arriscar e fazer diferente. A arte, seja ela qual for, exige e transmite emoção e necessita de entrega para acontecer. Ela é verdadeira, a partir do momento que verdadeiro é quem a faz. É por isso que o trabalho de Mariana Baltar tem alma: ele está sendo construído com a base que talvez seja a mais significante, junto com o talento indiscutível da cantora. A arte de Mariana é um voto de amor. Amor à música.


Próximos shows:
14 de setembro, às 21h, no Centro Cultural Carioca.
Participações especiais de Marcos Sacramento e Valéria Lobão.

6 de outubro, às 19h, pocket show na FNAC Pinheiros / SP.


Dicas e sugestões: culturaemovimento@gmail.com

2 comentários:

Palacios disse...

Parabéns pelo blog e pelas matérias.
Sou músico e não conheço pessoalmente a Mariana Baltar, mas acompanho os trabalhos da moça, e digo sem medo de errar que no momento é a melhor cantora de nossa MPB. Mais uma vez parabéns !

*LIS disse...

Mariana Baltar realmente e otima!
O primeiro cd e uma graca...
Sob suas palavras entao Carol... vira pura poesia!