quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

E quem disse que o carnaval acaba na quarta-feira?

Muitos esperam ansiosos a chegada do carnaval. Muitos afirmam que o ano só começa após a quarta-feira de cinzas. Para os foliões que achavam que, depois de tanta festa e animação, tudo se acabaria na quarta-feira, uma boa notícia: há quem encerre as festas somente no sábado!

O carnaval é a época das cores. Daquelas mais vibrantes, que traduzem a alegria daqueles animados foliões que seguem os blocos. E um bloco, em especial, é representado por duas cores cheias de significado. O vermelho representa a força e a garra. O rosa, o amor e a feminilidade. É claro que um bloco com essas cores só poderia ser formado por mulheres. São cerca de 30 batuqueiras, algumas já integrantes de outros blocos que foi idealizado por Gláucia e Vivian, durante o carnaval de 2003. No repertório, apenas canções daquele que mais entende da alma feminina: Chico Buarque.

O bloco carioca Mulheres de Chico ganhou as ruas apenas em 2007, no esquema “concentra-mas-não-sai”, animando os foliões na praça Antero de Quental, no sábado após o carnaval. E as canções de Chico ganharam versões em diferentes ritmos, que passam pelo côco, maracatu, xote e até funk, além do samba. A direção musical é de Flavia Costa, com contribuição de todas as batuqueiras para a elaboração dos arranjos. “Sempre mantemos a característica percussiva do grupo, as músicas sendo de inspiração carnavalesca ou não”, disse Gláucia, uma das fundadoras do grupo.

Mas, nem só no carnaval é possível dançar ao som do MDC. O grupo faz apresentações durante o ano inteiro, com a mesma animação. O show sofre algumas modificações, dependendo do lugar que se apresente. Esse ano, o grupo foi chamado para tocar na feijoada da Mangueira e, em homenagem à escola de samba, tocou “Piano na Mangueira”, também de Chico.

No carnaval, o samba está mais presente, além da marchinha e do samba-enredo do grupo, únicas músicas que não são de Chico Buarque. Assim, o repertório possui uma parte fixa e outra não.“Além disso, sempre buscamos aumentar e aprimorar o repertório, já que a vontade de tocar todas as músicas do Chico é imensa”, diz Gláucia.

O fato de um bloco de carnaval apresentar apenas músicas de Chico Buarque é uma forma de aproximar sua obra do público jovem, dominante nessa época. Além do mais, o bloco caiu na graça das mulheres, que se sentem representadas ali, como aquelas que batalham o ano inteiro, e ainda arrumam um tempinho para “homenagear o nosso ‘muso inspirador’, subindo ao palco com muitos badulaques vermelhos e cor-de-rosa, para cantar, tocar, dançar e sorrir, acima de tudo”.

E, para 2009, o grupo promete muito vermelho e rosa, alegria, emoção, batuque, ginga e muito Chico Buarque de Holanda! A marchinha que o MDC traz esse ano é “Será que Chico vem?”, de Flavia Costa e Monica Leme, e o samba enredo é “Samba pra Chico”, de Joe Viegas.

Preparem-se, malandros e cabrochas, para, junto com o Mulheres de Chico, fazer a praça virar um salão. Com a letra na mão e muito samba no pé, o encontro está marcado para o sábado, 28 de fevereiro, a partir das 16h, na Praça Antero de Quental, no Leblon.

Conheça mais o trabalho do MDC:

Mala-direta / lista-amiga (desconto no show): contato@mulheresdechico.com.br

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

As palavras têm cor


Uma palavra doce, branca como um algodão doce ou uma nuvem no céu. Uma palavra forte, com a energia do laranja, impactante como o vermelho, delicada como o lilás. As palavras têm cor, assim como a vida, o sol e o mar. As palavras têm vida, e ganham o sentimento de quem as escreve. Quando isso é feito com o coração, com a alma de quem usa as palavras como forma de expressão, elas ganham cores que transmitem a verdade essencialmente bela de quem as projetou.

A vida é um misto de palavras e expressões, e os chamados “poetas” são aqueles que traduzem-na, selecionando um conjunto de palavras para explicá-la, ou tentar entendê-la. Quem escreve, nem sempre tem a clara visão das coisas ao seu redor. Muitas vezes, escrever é uma forma de descobrir o mundo que nos cerca, dando a ele um novo sentido, uma nova sensibilidade, uma nova cor. Ou até mesmo usando dos chamados “clichês”, pois, afinal, fugir deles já virou também um clichê.

Juntemos todas as cores da vida numa tigela de palavras, sentimentos e sensações. Assim, teremos uma tigela colorida. Colorida de boas palavras, escolhidas por quem sabe usá-las de forma tão sutil e envolvente. E, através dessas palavras, vamos “escutar uma nova melodia, encontrar a fantasia escondida, ensinar o caminho da alegria, aprender a saborear a vida”. Será que isso dá samba? Se dá samba, eu não sei, mas posso garantir que dá um ótimo blog!

E, é embalada pela doce melodia das cores das palavras, que os convido a conhecerem o blog “Tigela Colorida”. Eu, como incentivadora de sua criação, não poderia deixar de fazer a minha propaganda. Escrito por Carol Freitas, ele apresenta seus belos poemas, e traduzem de forma encantadora as cores que as “palavras da vida” podem adquirir.

E, se as primeiras palavras do blog de Carol foram minhas, encerro meu texto com um poema dela que, além de ser colorido como seu blog, tem em si uma magia inexplicável, a magia da cor, a magia do samba.

No dia em que eu sair na comissão de frente da escola da minha vida,
Vou saber que o samba tem conexão divina entre o bem e o mal,
Dessa coisa que mexe com a gente,
Que só acontece em noite de carnaval.
Essa magia que dorme escondida,
E acorda brilhante quando a mulata atravessa a avenida.

Abençoe meu Deus com alegria,
Essa força que move os pés da passista,
E que embala as piruetas do mestre sala.
Que deixa bonita a vida de quem assiste,
Essa tradição que ainda persiste,
De ser feliz e nada mais.

E ainda quero olhar pra trás e avistar na passarela;
As alas coloridas transformando todo o espaço em aquarela,
Evoluindo ao som de homens e mulheres comuns,
Que de manhã são apenas João e Maria
Mas que à noite são a “voz” da bateria.

O mais comovente dessa festa é essa tal contradição:
De ser feita por essa gente que não tem quase nada nas mãos,
Que passam dias sem ter ao menos o básico pra viver,
Mas que sabem repartir o que lhes sobra nessa ocasião

Sabem que essa vida é uma só,
E que a tristeza só mora na casa de quem pra ela abre as portas,
a convidando para entrar,
E que a alegria só pousa no peito de quem sabe sambar.

(Dia feliz – Carol Freitas)