sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Ó "pa" eles, ó!

Bahia, estação primeira do Brasil. Com seu batuque de ritmo animado e convidativo, de cores vibrantes e alegria contagiante. Bahia do Pelourinho, do Farol da Barra, do Senhor do Bonfim. Bahia, com suas crenças e com sua gente. Onde tudo começou, lugar com raízes culturais muito fortes. Da música à religião, um grito de resistência, que pode nos parecer distante, mas que está mais presente que imaginamos.

Com o eixo Rio-São Paulo ganhando cada vez mais força, muitos movimentos culturais deixam de ser conhecidos, até que tenham espaço nessas metrópoles. Essa valorização excessiva do que é produzido no Rio e em São Paulo acaba sendo um motivo para tornar a cultura mais elitizada. E o teatro, tema que abordarei nesse texto, ganhou – e vem mantendo – seus ares de burguesia. Tudo o que foge ao “modelo burguês” de teatro é descartável, não vale, é lixo.

Felizes os que vão contra às imposições. Felizes os que valorizam a verdadeira Arte, sem se preocupar em seguir um padrão ou estar de acordo com o que se espera que venha a ser o teatro. Não pretendo desvalorizar esse teatro mais tradicional, mas mostrar que ele não é a única forma de fazer teatro. Autenticidade, acima de tudo, já que o verdadeiro valor cultural está em transmitir a essência de quem se propõe a fazê-lo. E essência não tem modelo nem padrão.

Pois é na Bahia que busco meu exemplo dessa Arte a que me refiro, na sua essência mais pura. E é em 1990 que a minha história começa.

Os diretores Marcio Meirelles e Chica Carelli, junto com o Grupo Cultural Olodum formaram o Bando de Teatro Olodum, agrupando o que, hoje, são cerca de 21 atores, escolhidos através de oficinas. O grupo tem 28 espetáculos montados, dos quais quatro estiveram em cartaz no Rio de Janeiro, no mês de dezembro. Entre esses espetáculos estava “Ó pai ó”, que já virou filme e série de TV, além de “Áfricas”, “Cabaré da Rrrrraça” e “Sonho de uma noite de verão”.

E quem ajuda a contar um pouquinho dessa história, é Jorge Washington, um dos atores do grupo, que faz parte do Bando desde a sua fundação. Antes de entrar para o Bando, Jorge já era envolvido com o teatro, sempre indo contra a essa forma burguesa de fazê-lo. E, no grupo, ele encontrou essa nova forma de fazer teatro, na qual ele acredita.

Com “Ó pai ó” presente nos veículos de massa, foi uma forma de divulgar o trabalho do grupo, dando mais visibilidade ao que eles fazem, já que “a cultura só existe se estiver presente no eixo Rio-São Paulo; o resto está fora”, como disse Jorge.

O humor é marca registrada do Bando. Não um humor sem propósitos: um humor que faz pensar. Os espetáculos estão sempre voltados para a vida cotidiana, para a comunidade. São histórias do dia-a-dia, ou contadas à maneira deles, como no caso de Shakespeare. Segundo Jorge, Shakespeare é um autor popular, ao contrário do que é pregado aqui. Sendo assim, é totalmente identificado com o trabalho que o Bando faz.

Mais do que teatro, os atores que fazem parte do grupo têm aulas de canto, dança e percussão, com ensaios diários de 4 horas. Essa variedade de atividades enriquece ainda mais o trabalho do grupo, tornando-o sólido no palco e bem estruturado com a proposta de mostrar a cultura baiana e a forma de teatro que eles acreditam.

E, 2009 promete novidades. O grupo já está com um novo projeto à vista, com o tema “respeito aos mais velhos”. E, para os fãs de “Ó paí ó”, boas notícias: a série volta esse ano, nos presenteando com mais deliciosos episódios.

O Bando de Teatro Olodum é um dos muitos exemplos dessa resistência que citei no início do texto. Resistência em concorrer com o que é produzido no eixo Rio-São Paulo, ganhando seu espaço e reconhecimento fora da Bahia, no caso do Bando. E essa expansão é muito positiva para a troca e inovação, que tanto enriquecem a cultura.



Para conhecer mais sobre o trabalho do Bando de Teatro Olodum, entre no
site.

sábado, 17 de janeiro de 2009

A "não obviedade" da música

Nada como começar o ano com boas novidades. E quando essa novidade é musical e de boa qualidade, não há maior prazer do que dividi-la com apaixonados pela música, como eu. Pois a novidade que trago no primeiro post de 2009 já passou por aqui uma vez. Desde então, muitas coisas aconteceram. E, hoje, venho apresentar o recém lançado CD dessa cantora gaúcha que é puro talento. O CD “Sambô”, de Renata Adegas é “uma salada de frutas de balanço e de mexer”.

Com sua voz envolvente, Renata dá um toque especial a cada nota que canta. É tudo feito com um cuidado e dedicação que são claros para quem a ouve. Juntando isso às belas letras, “Sambô” é um CD imperdível. E a mistura é garantida pelos ritmos variados presentes nas faixas, o que aumenta ainda mais a riqueza de seu trabalho.

Renata se mostra uma artista de muitas vertentes, assinando cinco músicas de seu CD, além de ser uma intérprete de muita qualidade, como em “Recado”, de Gonzaguinha. Outro destaque é “Cara-de-pau”, uma de suas composições com Michel Dorfman, uma música alto astral e de ritmo envolvente. Os arranjos do CD também merecem seu destaque, por sua qualidade, tornando as melodias agradáveis aos ouvidos, ao mesmo tempo em que surpreende. As músicas de Renata não são nada óbvias. E essa “não obviedade” no trabalho da cantora também se deve ao fato das influências que ela possui, que vão do pop rock à MPB, e foram conquistadas ao longo do caminho que sua carreira percorreu, até chegar nesse momento, com um trabalho sólido e autoral.

Renata iniciou sua carreira na Soul Addiction, uma banda cover de pop rock, se apresentando em diversos bares de Porto Alegre. Em 2002, quando Renata foi convidada para integrar a banda do Abbey Road Studio Pub, a MPB começou a entrar na sua vida. Ela, que era bailarina e nunca tinha pensado em ser cantora, foi descobrindo aos poucos sua paixão pela música, e, através dos anos, direcionando para onde queria que sua carreira seguisse.

A convite dos donos do Abbey, Renata montou um show com músicas de Elis Regina. Após meses de ensaio, mergulhando fundo no universo da cantora, Renata estreou o show, e foi se tornando conhecida no cenário musical de Porto Alegre. Além de integrar as duas bandas, Renata tem em seu currículo participação na trilha sonora dos filmes "O homem que copiava" e "Extremo Sul", em que foi dirigida pelo produtor Léo Henquin, integrante da banda Papas Da Língua.

E a turnê de “Sambô” já teve sua estréia em Porto Alegre, e a música “Sambô sambô” está entre as tocadas no programa “Faro MPB”, da rádio MPB FM, no Rio de Janeiro. E seu site já está no ar, trazendo todas as novidades da carreira da cantora. Aos poucos, o trabalho de Renata vai se espalhando, com votos de chegar em cada canto desse país.

Construir uma carreira sólida requer tempo, dedicação e experiência. Renata conquistou isso – e muito bem – desde o início de sua carreira até aqui. E, se hoje vemos um trabalho maduro e bem estruturado, muito se deve ao fato de ela ter encontrado o seu caminho dentro da música. É fácil de perceber quando um artista tem certeza e confiança no trabalho que executa. E, quando ele é feito com amor, o resultado só pode ser positivo. Vida longa à carreira de Renata Adegas!

Conheça o trabalho de Renata Adegas:
Site oficial
Myspace
Comunidade no Orkut

Onde comprar o CD "Sambô"
Livraria Cultura