quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"Tio, me dá um livro?"


“Tá relampiano, cadê neném?
Tá vendendo drops no sinal pra alguém...”

(Relampiano – Lenine / Moska)

No meio de tantos supérfluos que encontramos na internet, algumas vezes damos sorte de garimpar boas ideias. Foi o que aconteceu com o artigo “Vale mais que um trocado”, escrito pelo jornalista Rodrigo Ratier para o site da revista Nova Escola, da editora Abril.


O texto conta a experiência de Rodrigo durante um fim de semana em que ele distribuiu livros para moradores das ruas de São Paulo, em vez de dar-lhes esmola. “É possível estabelecer uma relação que, talvez, seja mais humana com as pessoas em situação de rua”, disse ele, que alega ter continuado com a distribuição de livros mesmo depois da publicação da matéria.


Mostrando, na prática, que um pouco de cultura e atenção valem mais que um trocado, o episódio narrado pelo jornalista foi uma experiência bem sucedida. Segundo ele, esta foi a matéria que mais repercutiu, em seus 11 anos de profissão.


Rodrigo conta que a história começou em uma das reuniões de pauta na revista. Na ocasião, a coordenadora pedagógica Regina Scarpa relatou que ela andava com uma caixa de livros no carro, para distribuir, preferencialmente, às crianças. Da história contada pela “tia do livro” – como Regina ficou conhecida -, Rodrigo vislumbrou a possibilidade de uma boa reportagem. E partiu para as ruas.


Mesmo com as boas iniciativas, a vida segue avassaladora. O mundo gira cada vez mais veloz, e a famosa falta de tempo nos faz fechar os olhos frente às desigualdades, esquecendo de olhar para o próximo, que está ali bem ao lado, mas que ignoramos sua presença. Porém, como disse Rodrigo, “faz toda a diferença para alguém que entrou nessa profissão com o sonho de mudar o mundo, saber que, vez em quando, alguma coisa do muito que a gente escreve consegue tocar a vida de alguém”. E é por profissionais como esse, que eu tenho orgulho de ser jornalista.

Foto: Rogério Albuquerque

3 comentários:

Thaís disse...

Lindo né, Carol!?

Me lembrou um dia que eu, tendo uns 5 anos, tinha um carrinho só pra mim no supermercado e enchi ele de bobagens, tinha iogurte, chips, danoninho, chocolate...

Já na fila pra pagar, vi uma coleção de livretos do Topo Giggio (lembra?) e fiquei doidinha. Lembro que era um pouquinho caro e minha mãe disse que não ia comprar mais nada. Daí eu falei bem alto e em prantos:

- Eu troco meu carrinho todo pelos livrinhos, mãe!

Ainda tenho eles aqui...:)

Carol Vidal disse...

Lindo demais, Thaís!

Eu ainda acredito que dá pra mudar muita coisa através da cultura. :)

Adorei sua história!
Eu sempre gostei muito de livros, também, desde criança (até mesmo qando eu ainda não sabia ler)...

Tenho uma coleção lá em casa, que eu não deixo ninguém dar de jeito nenhum!

Carol Freitas disse...

"Um país se faz com homens e livros" (Monteiro Lobato)

;)