quinta-feira, 25 de junho de 2009

A Bossa ainda é Nova

Quando os primeiros acordes do piano soaram no silêncio do teatro, fomos transportados para uma outra época. Voltamos no tempo, ou, visitamos um tempo que só conhecíamos pela música. Mas, naquele momento, ele estava ali, inteiro e intenso, na alma dos atores.

Rio de Janeiro, década de 50. Praia, pôr-do-sol, música. Mas,não uma música qualquer. Uns dizem que é imitação do jazz, outros brigam para definir quem foi o inventor. Mas, ali, naquelas duas horas de espetáculo, os temas que interessavam eram o amor, o sorriso e a flor. Estamos na era da Bossa Nova.

“Tom e Vinicius – O musical” tem início no ano de 1956, com a realização da produção teatral “Orfeu da Conceição” - peça de Vinicius, com músicas de Tom Jobim - marco inicial da parceria, e segue contando a história do surgimento da Bossa Nova e toda repercussão causada por ela no Brasil e no mundo. Na peça, Marcelo Serrado dá vida a Tom Jobim, e Thelmo Fernandes é Vinicius de Moraes. Com direção de Daniel Herz e direção musical de Josimar Carneiro, a peça é mais do que uma obra biográfica, pois centra sua narrativa no espírito que envolvia todo um período da história do Brasil, no qual a Bossa Nova se estabeleceu como conceito estético e até mesmo padrão comportamental. Dessa maneira, o público se sente transportado para essa época, conhecendo e sentindo como grandes clássicos, como “Chega de Saudade” e “A felicidade” ganharam vida, na parceria entre o poeta e o maestro.

Além de Marcelo e Thelmo, mais 14 atores integram a cena, e dão vida a figuras importantes da música brasileira, como Elizeth Cardoso e Dolores Duran. Todos eles, com uma qualidade visível, ajudaram a abrilhantar ainda mais o espetáculo. E, entre esses atores está Guilhermina Guinle, que interpretou duas das esposas de Vinicius de Moraes.

“A nossa casa, querido
Já estava acostumada
Aguardando você
As flores na janela
Sorriam, cantavam
Por causa de você...”

Mas, quem roubou a cena com uma interpretação impecável foi a atriz Marilice Cosenza, que deu vida – e muita emoção – a uma de nossas grandes representantes do samba-canção, Dolores Duran. Marilice cantou “Por causa de você”, parceria de Dolores e Jobim, e arrancou do público, aplausos calorosos. Todos nos sentimos em março de 1957, quando Tom mostrou a Dolores a melodia que havia feito, e, em pouco tempo, ela apresentou-lhe a letra, que se tornou um grande clássico de nossa música.


“Rua Nascimento Silva, cento e sete
Você ensinando prá Elizete
as canções de canção do amor demais
Lembra que tempo feliz, ai que saudade,
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz...”

Muitos são os momentos marcantes e muitas são as músicas para lembrar. “Garota de Ipanema”, “Eu sei que vou te amar” e “Carta ao Tom” são apenas algumas das grandes canções que passaram pela peça e estão eternizadas na música brasileira. A parceria de Tom e Vinicius rendeu muitas histórias para contar e muitas canções para serem eternamente entoadas na batida sincopada do violão da Bossa Nova.

Tom e Vinicius - O musical: ÚLTIMA SEMANA!!!
Até dia 28/06 - Sexta e sábado 20h, e domingo 18h
Teatro Carolos Gomes - Praça Tiradentes, 19 - Centro, RJ
Mais informações: 2232-8701

Lembrando que este blog está concorrendo ao Prêmio Top Blog na categoria Cultura. Para votar, basta clicar no selo que aparece aqui do lado direito. Divulguem!!!

Um comentário:

Carol Freitas disse...

É quase um texto-convite =)

Adorei. Mesmo.
Bjo!