domingo, 30 de novembro de 2008

Blog 100 anos de Cartola


O blog 100 anos de Cartola surgiu por causa de um trabalho que fizemos para uma matéria na faculdade. Lá, vocês encontrarão um pouquinho da história desse grande mestre da música brasileira, além de curiosidades, fotos, vídeos e muita história boa para contar.

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O prazer além da fama - escrever é muito mais que ganhar dinheiro

Escrever é um ato que vai muito além de apenas unir palavras que façam algum – ou nenhum – sentido. Escrever é dar uma dimensão concreta àquilo que está no mais íntimo dos lugares: o coração.

Muitos escritores usam a literatura como válvula de escape. Se a timidez não permite falar, a escrita torna-se ferramenta fundamental para se expressar. E, nesse ato tão íntimo de total entrega, a fama fica em segundo plano.

“Você pode se curar de todos os males do mundo escrevendo”, afirma a estudante Aline Luz, que usa o seu blog como essa válvula de escape, sem se preocupar se está escrevendo para uma pessoa, para 1 milhão, ou para si mesma.

Se Aline divulga em seu blog o que passa em seu coração, Caroline guarda seus textos para ela mesma. Segundo ela, a preocupação em decepcionar quanto à qualidade do que escreve, sempre a impediu de mostrar seus textos até mesmo para os amigos. Mas, apesar da timidez em publicar suas composições, a literatura sempre teve importância na vida dela. “Viver rodeada de livros despertou em mim a vontade de escrever e, com uns 17 anos, já comecei a ‘anotar’ algumas coisas”, diz.

Mas, para alguns escritores, a necessidade de ser compreendido é essencial ao escrever e publicar seus textos. É o que acredita o músico Daniel Simonian ao dizer que “fazer sentido para os leitores faz com que eu não me sinta um ET”.

Cada um no seu estilo, com suas histórias e expectativas. Mas, um objetivo comum une toda essa nova geração de escritores: o prazer pela escrita e a vontade de publicarem um livro. Muito mais do que a fama, o que esses novos escritores esperam é o reconhecimento, é ter um espaço justo e democrático em meio a tanta competição e falta de sensibilidade. Muito antes de Internet trazer a rapidez, e o capitalismo, a necessidade constante de lucros, a literatura já tinha mostrado, como bem disse o estudante de Jornalismo Luiz Felipe Carneiro, que “o escritor tem que batalhar muito e ser um verdadeiro herói”.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Será o fim dos poetas?

“Não sou alegre nem sou triste: sou poeta” já dizia Cecília Meireles em seu poema “Motivo”. Os poetas sempre foram, dentro da classe literária, muito respeitados e admirados. Seu jeito particular de se expressar, de uma maneira tão ritmada e envolvente, atrai muitos leitores e amantes do gênero. São eles uma categoria cativa dentro da literatura. Mas, com o crescimento da Internet, que trouxe com ela a necessidade do “agora”, a magia dos poetas pode estar ameaçada.

Nesse mundo cada vez mais globalizado e imediato, levar horas, dias, meses ou até anos escrevendo um poema tornou-se inviável. Captar, em cada palavra empregada, os sentimentos e intenções presentes nas entrelinhas, virou perda de tempo. O que interessa é o objetivo, o concreto, o instantâneo.

E, se na Internet, a busca é pelo agora, na economia capitalista, o lucro é quem dá as cartas. Se os leitores não estão interessados nos novos poetas, as editoras ignoram sua existência. Essa é a regra que move o capitalismo. E, como disse Robson, “poetas novos não vendem. E, se não vendem, não interessam às editoras”.

Por essa falta de interesse das editoras em investirem nos poetas da nova geração, Robson afirma que pretende lançar seu livro de poesias por conta própria.

Mas, ao mesmo tempo que a Internet traz essa instantaneidade, ela também traz uma vantagem para os novos escritores: a possibilidade de publicar seus textos, que poderão ser lidos por uma infinidade de pessoas. Essa possibilidade dá aos escritores a chance de encontrarem quem ainda tenha um pouco de paciência e tempo para apreciar um bom poema.

Não se pode afirmar sem erros que os poetas deixarão de existir com o tempo. Mas, o que se pode dizer é que desacelerar a vida e sentir mais o que se passa em volta pode ser a saída para tanto estresse e confusão que ronda nosso cotidiano. E, por que não ler um poema? Deixar-se ser levado pela magia daqueles que, com as palavras, traduzem o que há de mais íntimo em nós: nós mesmos.


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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Uma luz no fim do túnel - Soluções alternativas para novos escritores

“Dedico este livro aos artistas anônimos que não conseguiram alavancas de amor para a elaboração de seus trabalhos”. É com essa dedicatória que o cantor e compositor Antenor Luz começa o seu livro “A arte de luz”, coletânea de poemas e partituras de sua autoria.

Antenor lançou esse livro em 2006, mas ele foi distribuído apenas para pessoas seletas e de cunho intelectual ligadas à arte literária.

Mas, para esses artistas que não conseguem chegar à grande mídia, a solução pode estar nas pequenas editoras. Segundo a matéria da revista “Retrato do Brasil”, os pequenos editores publicam mais autores novos, mais autores nacionais, lançam no mercado novos ilustradores, formam novos revisores, tradutores e editores. Garantem a “bibliodiversidade”, pois preenchem mesmo os menores nichos do mercado.

Essa união dos novos pode ser um bom negócio tanto para os escritores, que têm a chance de terem seus trabalhos publicados, quanto para as pequenas editoras, que ganham uma força maior para competir com as grandes empresas do mercado editorial. Atingindo nichos que as grandes editoras não se interessam, pode dar maior visibilidade para as empresas menores, sendo a válvula de escape para a concorrência.

Outro ponto que favorece às pequenas editoras lançarem novos escritores é o fato de o mercado de livros didáticos ser cada vez maior. Para uma editora de pequeno porte, é difícil concorrer, nesse ramo, quando as grandes editoras tiveram um faturamento de R$ 1,48bi em 2006 somente com os didáticos.

“O acesso às editoras deveria ser mais facilitado e estar mais ao alcance das pessoas que tem vontade de publicar os seus trabalhos”, diz Caroline. Se as grandes editoras não investem nesse setor, é hora de as pequenas investirem.

A solução está na união daqueles que são prejudicados pela falta de espaço. Se não há esse espaço, que se crie um, unindo os interesses comuns entre quem quer entrar no mercado editorial e quem quer continuar nele.


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sábado, 15 de novembro de 2008

Navegando pelo mar das novidades

Investir em literatura em um país onde quase metade da população não lê, é um desafio. E, se o autor for iniciante, a dificuldade só aumenta. A falta de incentivo das grandes editoras e o alto preço dos livros são dois dos motivos que atraem cada vez mais os escritores para a Internet. Mas o desejo de publicar um livro não abandona esses novos artistas, que sonham com seu lugar em meio aos grandes nomes da literatura brasileira.

Em apenas alguns minutos navegando pela Internet, é possível descobrir uma gama de jovens escritores, que usam o blog como principal ferramenta de divulgação dos seus trabalhos. “Ela [Internet] veio para ser um facilitador e, com relação à divulgação de trabalhos, é uma vitrine de grande valor”, diz Caroline Freitas, uma nova escritora que ainda não aderiu à moda dos blogs, mas que diz já ter conhecido muitas novidades através da web.

Mas, é preciso ter cuidado: nem só de boas novidades é feita a Internet. É preciso ficar atento, principalmente, à autoria dos textos, pois não são raros os casos de erros – sejam propositais ou não. Com uma busca um pouco mais minuciosa pela web, é possível descobrir muitos textos de pessoas anônimas que são atribuídos a autores famosos. E os motivos são variados: falta de informação de quem disponibiliza o texto, desejo do autor de ver seu texto sendo acessado por muitos leitores, ou, até mesmo, o objetivo de enganar as pessoas. Segundo analisa João Gustavo Lima, estudante de Jornalismo, a Internet é mais um veículo de comunicação do que um produtor de conteúdo. Assim como ele, outros jovens escritores usam a Internet para receber opiniões acerca de seus textos, mas não pensam em abrir mão do sonho de publicar um livro à moda antiga.

Essa grande adesão à Internet traz à tona uma outra discussão: será que algum dia ela substituirá o livro impresso? Apesar de esses novos autores afirmarem o desejo de um dia publicar seus livros de forma tradicional, a força que a Internet vem ganhando não pode ser descartada. É cada vez maior o número dos chamados e-books que são disponibilizados para download. Apesar desse crescimento, Robson Ribeiro, poeta e estudante de Letras, afirma que acredita numa “convivência harmoniosa entre a literatura na Internet e a forma tradicional dos livros”.

O espaço que a Internet vem ocupando no mercado editorial acaba, de uma certa maneira, prejudicando a venda de livros, que faz com que os preços subam, e isso diminua ainda mais o número de compradores. É um ciclo vicioso que poderia ser resolvido com incentivo a novas publicações, conquistando a atenção de novos leitores. E João Gustavo propõe uma solução: investimento no público jovem. “É para esse público que as editoras devem voltar seus investimentos em novidades editoriais, até mesmo pra conquistar novas gerações”, diz.

Mas parece que a tendência das editoras não é arriscar. Em recente matéria publicada pela revista “Retrato do Brasil”, um estudo editado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em parceria com outras instituições, como a Câmara Brasileira do Livro (CBL), mostra que as grandes editoras dão preferência ao que já deu certo em países adiantados. Nestes tempos de globalização, elas preferem lidar com livros já testados nos grandes mercados internacionais e são menos interessadas em lançamentos surpreendentes.

Apesar de todos os desafios que terão de enfrentar, esses novos talentos ainda vêem uma esperança. E, frente a todas as dificuldades, a paixão pela literatura fala mais alto, dando incentivo para eles seguirem em frente. Como afirma Robson, “escrever é uma necessidade”.


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