sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Será o fim dos poetas?

“Não sou alegre nem sou triste: sou poeta” já dizia Cecília Meireles em seu poema “Motivo”. Os poetas sempre foram, dentro da classe literária, muito respeitados e admirados. Seu jeito particular de se expressar, de uma maneira tão ritmada e envolvente, atrai muitos leitores e amantes do gênero. São eles uma categoria cativa dentro da literatura. Mas, com o crescimento da Internet, que trouxe com ela a necessidade do “agora”, a magia dos poetas pode estar ameaçada.

Nesse mundo cada vez mais globalizado e imediato, levar horas, dias, meses ou até anos escrevendo um poema tornou-se inviável. Captar, em cada palavra empregada, os sentimentos e intenções presentes nas entrelinhas, virou perda de tempo. O que interessa é o objetivo, o concreto, o instantâneo.

E, se na Internet, a busca é pelo agora, na economia capitalista, o lucro é quem dá as cartas. Se os leitores não estão interessados nos novos poetas, as editoras ignoram sua existência. Essa é a regra que move o capitalismo. E, como disse Robson, “poetas novos não vendem. E, se não vendem, não interessam às editoras”.

Por essa falta de interesse das editoras em investirem nos poetas da nova geração, Robson afirma que pretende lançar seu livro de poesias por conta própria.

Mas, ao mesmo tempo que a Internet traz essa instantaneidade, ela também traz uma vantagem para os novos escritores: a possibilidade de publicar seus textos, que poderão ser lidos por uma infinidade de pessoas. Essa possibilidade dá aos escritores a chance de encontrarem quem ainda tenha um pouco de paciência e tempo para apreciar um bom poema.

Não se pode afirmar sem erros que os poetas deixarão de existir com o tempo. Mas, o que se pode dizer é que desacelerar a vida e sentir mais o que se passa em volta pode ser a saída para tanto estresse e confusão que ronda nosso cotidiano. E, por que não ler um poema? Deixar-se ser levado pela magia daqueles que, com as palavras, traduzem o que há de mais íntimo em nós: nós mesmos.


Próximo post: O prazer além da fama - escrever é muito mais que ganhar dinheiro.

13 comentários:

FELIPE CERQUIZE disse...

Quem é o autor, Carol? aBRAÇÃO!

Marcos Moraes disse...

Oi Carol,adorei o texto e também o blog,Parabens!
A respeito do texto concordo quando o autor ( foi você que escreveu?)que a Pós -Modernidade e o fluxo constante de informação, com enfase no agora tirou um poouco da magia da poesia.Mas entrevistei uma poeta algum tempo atrás e comentavamos sobre isso, ela na ocasião falava sobre como a poesia pode ser um antido para toda essa correria proporcionada pela Globalização.Dizia ela que "apoesia humaniza a humanidade e educa a nossa senssibilidade".Talves se conseguirmos parar,ou lermos correndo mesmo uma boa poesia vamos seres humanos bem melhores ou menos ruins.
Um grande xero pra vc e manda pra mim postagens novas.Meu e-mail é: jmb.reimaster@gamil.com

Carol Vidal disse...

Respondendo à pergunta dos 2... Sim, o texto é meu!!

E eu concordo, Marcos. Eu sou a pessoa que mais torço pra que a magia dos poetas não se perca por aí...

E esse texto fica aí tb como um alerta pra que as pessoas não deixem isso acontecer!

Beijão!

nascimentosilva disse...

Salve Carol,
Via cada letra que forma cada palavra
viva cada sentimento que forma cada rima
Viva o verso que vem por baixo e o que fica por cima
e o poeta...uma espécie de palhaço que alegra e anima.
Beijos,
Pierre

Evelyn disse...

BRAAAAAAAVOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!
bjo

Salomão Terra disse...

Bacana o texto, mas...
discordo um pouco. Tome alguns aspectos da pós-modernidade (bem acentuados na internet). Há claro uma poética. Não aquela romancista, realista etc, que diga-se de passagem havia morrido antes da internet. Agora a poética, essa áurea, passa por outros campos. O da imagem, o do imediatismo e por ai. Afinal de contas, pense bem, foi esse mesmo homem quem criou a internet. Isso é a mobilidade da cultura, e consequentemente, da própria linguagem...

Carol Vidal disse...

Com certeza, a pós-modernidades trouxe mudanças positivas, mas não acho que uma coisa precise anular a outra.

Não é preciso perder o que tínhamos de poesia antigamente, para ficar apenas com o q tem de novo. Acho que a idéia é somar. Isso enriquece.

Mas uma coisa é certa: não podemos ignorar a lógica do capitalismo, que só é bom o que vende. E eu não vejo interesse das editoras em dar espaço para novos poetas 'tradicionais', digamos assim. E eu sinto falta de conhecer pessoas que escrevam assim, apesar das novas tendências...

Mas essa é só a minha opinião...

Robson Ribeiro disse...

Olá Carol!

Chego por aqui um pouco tarde, mas deixo os meus parabéns pelo belo trabalho.

A poesia e os poetas nunca deixarão de existir...

Beijos!

Schwartz disse...

A morte da poesia se deve, única e exclusivamente, à PÉSSIMA qualidade dos poetas contemporâneos. Que esses beletristas, parnasiamos, chatos, ultraromânticos, emos, cheios de cichês,descansem em paz no inferno. Já vão tarde.
Poucos se salvam. Entre eles: Marcelo Montenegro, Hilda Hilst, Danislau Também, Bruna Breber e Cecília Borges.

Schwartz disse...

*parnasiaNos

KATIUSCIA disse...

Adorei!

Poli disse...

Gostei muito do texto!!!
E concordo plenamente com o que você diz!!!

Carol Vidal disse...

Olha, Schwartz, eu acho que essa é um posição meio radical. Não podemos generalizar dessa maneira.

Eu acho que tem muita coisa boa sendo produzida, mas que não é de conhecimento do grande público, e era isso que eu pretendia chamar atenção com meu texto.

Não considero poetas apenas quem tme livros publicados e são conhecidos, mas aqueles anônimos que buscam seu espaço em meio a tanta concorrência e, muitas vezes, falta de incentivo.